Não esqueçamos que, como se aprende pela parábola da criação referida pelos primeiros capítulos do Gênesis, no plano de Deus, o ser humano integral consta de dois componentes essenciais, um masculino e um feminino, destinados a existir e trabalhar juntos, capazes, somente juntos, de refletir a própria imagem de Deus.
O homem e a mulher são indissoluvelmente unidos, como dois aspectos complementares da mesma realidade humana e da mesma imagem de Deus.
Se, portanto, a encarnação se fez no homem, não poderia, claro, a mulher ser deixada à sombra. Maria tem, assimum papel complementar em relação a Cristo: "Ela é. portanto. o seu complemento em humanidade. Tudo o que ela tem de graça, certamente recebe dele, mas o recebe em uma natureza feminina. Em Maria, Deus encontra aquele aspecto da humanidade que não assumiu, fazendo-se homem.
E, ainda que a sua graça tenha todas as propriedades que ela pode encontrar em uma alma de mulher, tais propriedades não encontram nele matéria para exercitar-se. Pode-se dizer que, comunicando-se a Maria, a graça de Cristo manifesta-se segundo os sentimentos e mediante os atos que não teriam encontrado o modo de exprimir-se em seu ser e em sua ação de homem" (M. JNicolas).
Jesus é o homem em que se manifesta a perfeição de Deus em um rosto masculino, é preciso que ela se manifeste também na mulher em um rosto feminino: "Como Cristo pertence ao sexo masculino, ele não poderia, ainda que sua missão redentora dissesse respeito tanto à mulher quanto ao homem, oferecer à esposa e à mãe o Modelo correspondente a todas as nuances que são próprias da condição delas.
O que sem dúvida explica o fato do pensamento cristão ter sido levado, quase naturalmente, a contrapor-se ao casal prevaricador, cuja 'grande recusa' joga à sombra as nossas origens, o casal redentor, composto pelo segundo Adão e a segunda Eva, Esta tendência espontânea inspira-se em um sentimento muito vivo da unidade do ser humano (homo), mediante a diversidade complementar dos sexos enquanto representa uma homenagem à mulher, associando-a segundo a sua natureza, à redenção" (M.Zundel).
Sem o rosto feminino, a profunda realidade de Deus - a sua perfeição, a sua santidade, a sua bondade, a sua beleza não poderia revelar-se sob a forma humana em todos os seus aspectos; na obra da salvação, além do homem, é preciso também a mulher para poder plenamente manifestá-la.
(Revista O Milite - p. 08 - Junho/2010 - Frei Luís Faccenda, ofm)